quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Estamos no Facebook!
Agora o Memórias de São Bernardo tem uma página no Facebook! Pra ficar sabendo das novas postagens do blog, e sobre outras coisas de nossa história, basta acessar: http://www.facebook.com/pages/Mem%C3%B3rias-de-S%C3%A3o-Bernardo/263780090347775 e clicar em "curtir".
Você também pode fazer isso usando o aplicativo do Facebook instalado no lado direito da página.
A Memória de São Bernardo do Campo agradece! (e o autor também!)
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Represa Baraldi, um risco para a natureza?
Pra começar o texto, como sempre dedicado aos que gostam de ler detalhes e pormenores, e não aos que apenas gostam das "pílulas" de informação, deixo o que Ademir Médici escreveu em 1981, na bela obra "São Bernardo: seus bairros, sua gente", da série Cadernos Históricos, que durante a administração Tito Costa publicou as maiores obras já escritas sobre os antecedentes de nossa cidade. Médici fala sobre a "Represa dos Baraldi", ou Represa Baraldi, ou, como a imprensa anda dizendo, "Bairro Baraldi" - No texto de Ademir Médici, faço alguns grifos, que comentarei posteriormente:"Nas suas colônias perdidas da freguesia de São Bernardo, os Baraldi procuravam cascas de passariúvas, uma matéria-prima excelente para curtir couro. Num carrinho de mão, puxado por homens e animais, as cascas obtidas eram transportadas até o centro de Vila de São Bernardo, de onde, em carroças, eram conduzidas a São Paulo. Nesta época - crepúsculo do século passado - havia muito palmito nas matas do Montanhão. E muita madeira excelente para a construção de móveis, além das passariúvas, naturalmente.
Os Baraldi, descendentes dos primitivos imigrantes italianos que se estabeleceram no Montanhão no século XIX, estão espalhados pelo Grande ABC.
O Montanhão, ao tempo da chegada dos Baraldi, era uma selva cerrada, de acesso difícil e fauna das mais diversificadas.
Os Baraldi, no Montanhão, receberam quatro colônias de seis alqueires cada uma. Uma colônia para cada um dos filhos de Luiz e Catarina Baraldi, todos crianças na época. Ângelo, por exemplo, o pai dos três carvoeiros de Santo André que estão contando todas essas passagens, tinha nove anos quando chegou ao Brasil.
Nas terras recebidas, os Baraldi, além de procurarem cascas de passariúvas, plantavam e criavam animais para o sustento próprio. Tinham como vizinhos outras famílias de imigrantes italianos. Os Pessoni eram os vizinhos mais próximos. Tinha também a família de Jacob Savordelli e a família de Atílio Lui (que mantinha em sua colônia um moinho de fubá). Do lado oposto, onde hoje é o Parque do Pedroso, em Santo André, a família vizinha mais próxima dos Baraldi era a dos Pedroso, família de brasileiros que há muito tinha terras no local.
Sobre os Pedroso, um episódio que Luiz Baraldi escutou de seus pais. Os Pedroso eram donos de aproximadamente 100 alqueires de terras na região e queriam vender suas propriedades. Ofereceram suas terras aos Baraldi pelo preço de um conto de réis. Os quatro irmãos Baraldi (Guilherme, Ângelo, Antonio e José) recusaram a oferta. Principal argumento:
“- Na terra de você tem pouca passariúva”.
Sim, nas terras do Pedroso existiam poucas passariúvas. E a ótima e abundante madeira existente nas terras do Pedroso, excelente para a fabricação de móveis não chamava a atenção dos Baraldi na oportunidade. As fábricas de móveis de São Bernardo ainda não haviam sido fundadas. E quem iria se interessar por aquelas madeiras?
São memórias, recordações de netos e filhos dos Baraldi que, junto com outras famílias, desbravaram o Montanhão. Causos, como eles diziam, que ouviram de seus tios, de seus pais, de seus avós.
Os irmãos Baraldi falavam que, no início deste século, sua família deixou o Montanhão. Mudou para Ribeirão Pires, onde às margens da atual estrada Velha do Mar, a família montou uma serraria. A serraria funcionava no sítio Baraldi, onde havia também boiadas, plantações, etc. O retorno dos Baraldi ao Montanhão ocorreria em 1927, quando os atuais carvoeiros da rua Natal já eram mocinhos.
No retorno ao Montanhão, a procura de passariúva no mato já era uma atividade de há muito abandonada. Os moradores do Montanhão realizavam outras tarefas, como extrair carvão, retirar lenha e derrubar toras, toras nesta época utilizadas na fabricação de móveis.
O retorno dos Baraldi ao Montanhão coincidiu com o início das obras de abertura da represa Billings. Em 1934 as águas da represa já haviam subido bastante. E junto às colônias dos Baraldi os rios naturais já haviam sido inundados. Esta parte da Billings passou a ser chamada de represa dos Baraldi, denominação que persiste até hoje.
Francisco Baraldi diz que a estrada primitiva que ligava o Montanhão ao centro de São Bernardo ia dar na avenida Tiradentes (região da Vila Santa Terezinha), depois de passar pela pedreira que é hoje da Prefeitura e depois de passar por um tanque que era do Italo Cerchiari (atual Vila do Tanque).
Era por esta estrada que nossos antepassados conduziam os carrinhos de mão puxados por burros e transportando passariúvas. Hoje, esta estrada está desativada na sua parte mais afastada, coberta pela vegetação.
Luiz, irmão de Francisco, fala de outra estrada, aberta pela Light quando da construção da represa:
“- É a estrada do Botujuru que vai beirando a represa e que termina embaixo da ponte da Via Anchieta que liga Riacho Grande ao resto da cidade, sobre a Billings”.
Anos depois os Baraldi deixaram o Montanhão. ou pelo menos grande parte da família deixaria o Montanhão. Em 1942, a II Guerra no auge, Francisco Baraldi muda-se para Santo André, para trabalhar em sua carvoaria montada na rua Natal. Luiz, seu irmão, deixa o Montanhão quatro anos depois, para trabalhar com Francisco na carvoaria. Estão no ramo até hoje.
Mais de 100 anos depois, o Montanhão é ainda uma região praticamente desabitada, semi-selvagem, rural, quase estranha aos olhos do resto do Grande ABC. Cascas de passariúvas continuavam existindo em profusão no lugar, apesar de não serem mais colhidas para curtir couro. Pescadores percorreram as matas locais, ainda espessas em busca dos melhores pontos da represa Billings. E o Montanhão, em extensão, suplanta os territórios dos maiores bairros da região."
Fica a reflexão. A Origem do desbravamento do local está ligada ao início do Núcleo Colonial de São Bernardo, estabelecido pelo Império em 1877. De lá, os Baraldi e seus respectivos vizinhos, tais como os Pedroso, que já ocupavam a área anteriormente, exploravam lenha, carvão, e madeira para a fabricação de móveis. Em 1927, a Represa Billings inundou os rios e seus traçados naturais, que ocupavam toda a região.
Hoje, o Ministério Público de Santo André, talvez (e lamentávelmente) desligado das origens daquele lugar decide o fechamento da estrada que dá acesso ao bairro, desde São Bernardo, ficando este ligado apenas a Santo André. Esse processo, que corre desde a década de 1990 já priva os moradores de melhorias na estrada, que chegou a ficar totalmente intransitável e impedida em certos momentos.
Alegam que a estrada aberta, a Estrada do Montanhão, representa um "risco para a natureza". Que natureza? O Isolamento da região até hoje, desde os tempos dos Baraldi, permitiu que a região continuasse com extensas matas preservadas. Isso, apesar da devastação promovida pela construção do Rodoanel (não foi um "risco para a natureza" devassar toda a mata que a obra devassou? Nem assorear os mananciais que ela assoreou?). Tratam a Represa Baraldi como se fosse uma invasão, algo irreal, sendo que é basicamente um bairro de sítios muito bonito por sinal. E a ação do glorioso Ministério Público em torno das imensas invasões que despejam esgotos na represa e que destroem os mananciais? São Bernardo aguarda ansiosamente estas ações! Essas invasões são alvos de grilagem de terras, por parte de pessoas sem escrúpulos que iludem a gente simples da cidade que busca um conforto para si e para seus familiares. Que tal uma ação em torno desses grileiros que empesteiam a cidade com loteamentos clandestinos? Esses loteamentos tem uma consequência nefasta para a cidade, que ao longo dos anos precisa gastar onerosas cifras para regularizar, fazer ligações de água, luz e esgoto e providenciar serviços. Tudo isso sob pesadas multas que partem dos órgãos que deveriam FISCALIZAR, e não PUNIR.
O Baraldi precisa dessa fiscalização! O Risco ali não são os moradores, é a falta de fiscalização que permite o depósito de entulhos nas margens da estrada, e outros VERDADEIROS crimes contra as matas de nossa cidade. Não permitir a ligação de um bairro que começou a se formar nos tempos do Império com o centro da própria cidade, é uma medida que surpreende pela infantilidade, e é um atestado da falta de planejamento que assola todas as esferas da administração pública.
Solução? Simples! Não permitir a expansão do bairro, e FISCALIZAR o depósito de entulhos, a formação de novos núcleos populacionais na região, e outros crimes ambientais. Além disso, dotar a Represa Baraldi de uma pequena estação de tratamento de esgotos, e claro, de serviços básicos.
Com planejamento e fiscalização, a Estrada do Montanhão poderá continuar aberta, como sempre esteve, servindo a população do bairro, como sempre serviu.
*A Imagem é da Estrada do Montanhão. Do Diário do Grande ABC.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Sem Juízo (III)
Minami destacou na mesma reportagem que haveria demolições internas, como forro, teto, e algumas paredes, mas o restante permaneceria “A estrutura é a mesma e não vai ser demolida”, disse.
Em resposta, o presidente da Câmara de São Bernardo Minami afirmou ainda que não havia analisado a questão, “Não tive tempo ainda para conversar com ele (diretor) e trocar essa idéia. Ele é o diretor-geral e está acompanhando todo o processo”, completou.
Depois de uma série de reportagens a TVABCD apurou que a obra é ilegal e em reportagem exclusiva com o Secretário de Obras da Prefeitura de SBC, José Cloves da Silva, informou que os termos 'embargado' e 'parado' são a mesma coisa.
Nesta quarta – feira (30) oficialmente a Prefeitura de São Bernardo informou que embargou a obra da reforma da Câmara por tempo indeterminado e solicitou também a apresentação de novos documentos referentes ao caso.
A TVABCD continua de olho e não vai parar de acompanhar o caso. Nesta quarta-feira (30) entrará com uma ação, requerendo a Instauração de Procedimento para Apuração de Irregularidades da reforma Câmara perante o Ministério Público da cidade para que esse caso, não caia no esquecimento e não passe desapercebido perante as autoridade e a sociedade.
Comentário: E agora? Como ficará a porção demolida do plenário? Será que vai ser restaurada de acordo com o projeto original? Eu sinceramente duvido! E o dinheiro gasto? Vai sair do bolso dos srs. vereadores de S.Bernardo do Campo que nada fizeram contra esse absurdo?
Sem Juízo (II)
Ainda sobre o mesmo tema, publico o texto que recebi do meu amigo Leandro Giudici através de seu blog, o Bernôtícias (http://bernoticias.blogspot.com) tratando da infeliz demolição do Plenário Tereza Delta. A Foto (acima) que acompanha é da construção do Paço Municipal, nos anos 60.Se o brasileiro por sua cultura (ou falta dela) valoriza tão pouco o seu passado, o sambernardense viu ao longo das seis últimas décadas a memória do seu povo ser enterrada, varrida e moída em escombros, como agora. Um misto de desrespeito e desleixo com o povo e o coração do município que a maioria dos responsáveis por tal descalabro desconhece, por desapego ou por dar ombros as pessoas e os tesouros dessa terra.
A cidade pujante, das indústrias, dos automóveis, motriz do desenvolvimento que tanto contribui para os altos números da saúde financeira do país cresceu sem olhar para trás. Na Rua Marechal Deodoro, onde tudo começou e tudo aconteceu, poucas construções nos remetem a sua importância. Sobrou a Câmara de Cultura, a Esportes Cassettari, a velha igrejinha de Nossa Sra. da Boa Viagem e a Praça Santa Filomena, tão mal cuidada. Casarões e prédios antigos foram desaparecendo da paisagem sem explicações.
Da mesma maneira vem sendo agora, a cúpula da Câmara que compõe a bela arquitetura do Paço Municipal, que por muitas vezes ilustrou postais está virando pó, estão cuspindo e pisando em nossa bandeira.
Justificam a 'demolição' da obra - revestida por granito italiano - para realizar uma suposta 'reforma', que apenas as eleições que se avizinham podem justificar. Algo para inglês ver, sem importância alguma e que abrirá uma grande ferida na alma do seu povo. Além é claro do seu valor, que torna-se indiferente se comparado ao tamanha afronta, R$ 28 milhões.
Se algo pode ser pior, indigna a complascência das autoridades, a começar pelo prefeito Luiz Marinho (PT), seus Secretários e os 21 vereadores que assistem de maneira omissa, irresponsável e covarde o teto desabar sobre suas cabeças.
Não somente eles, imprensa, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), grupos pró-cidade e os mais influentes também se calam. Um silêncio ensurdecedor.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Sem Juízo
< A Imagem que inicia esse texto, depois de muito tempo sem novidades por aqui, foi recebida pelo Facebook, via Paulo Dias.quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Ítalo Setti
Entre muitos cidadãos de São Bernardo que merecem destaque, sejam naturais ou adotivos, dificilmente um nome fica acima do de Ítalo Setti. Mas afinal quem foi Ítalo Setti? Era mais um dos vários e vários imigrantes italianos que chegaram ao Núcleo Colonial de São Bernardo (estabelecido pelo Império em 1877), buscando melhores condições de vida, e muitas vezes acreditando em promessas nada verdadeiras dos agentes de imigração que trabalhavam na Itália e em outros países que enviaram seus cidadãos à América.Ítalo chegou a São Bernardo aos 12 anos de idade, mais precisamente em 1879, dois anos depois do início da formação do núcleo. Como muitos jovens de sua época, particularmente imigrantes de diversas origens, ajudou na derrubada da mata nas terras em que sua família recebeu. As árvores derrubadas se transformavam em carvão, que era transportado por carroceiros até a Estação de São Bernardo (Santo André) ou até São Paulo pelo velho Caminho do Mar, mal conservado e precário, o que transformava uma viagem hoje realizada em minutos em uma jornada que costumava durar o dia todo. Ítalo foi carroceiro, transportando o produto citado até a Capital, onde era vendido. A Produção de carvão ocupou posição de destaque por muitos anos na incipiente economia que a “Villa” possuía na época. Em 1889, Ítalo jura a bandeira depois de ter requerido o título de cidadão Brasileiro naturalizado. Em 1920, torna-se vereador junto à Câmara Municipal de São Bernardo, sediada na própria Vila de São Bernardo (São Bernardo Sede) onde hoje se encontra a “Câmara de Cultura”, na Rua Marechal Deodoro entre as ruas Padre Lustoza e Doutor Fláquer. Também ocupou os cargos de procurador da prefeitura e de juiz de paz.
Em 1904, Ítalo Setti inicia as suas atividades como industrial, lançando no pacato vilarejo a idéia da industrialização, fortemente associada a idéia de progresso, fundando a fábrica de charutos “A Delícia”, que encerrou as atividades em 1912 para que o mesmo Ítalo Setti pudesse fundar a Companhia Tecelagem São Bernardo, o maior estabelecimento industrial do lugar, que já detinha a tradição na fabricação de móveis, e que agora tinha a indústria que melhor representava o ideal progressista do Brasil de então: A Indústria têxtil. Ali, Ítalo iniciou a sua obra em prol do lugar em que vivia: Foi o primeiro empresário a distribuir cestas de natal, que começaram com a distribuição de uma simples garrafa de vinho para as suas funcionárias, estudioso, era um especialista na interpretação das leis e na constituição brasileira, dando atendimento constante a população que o procurava buscando sanar dúvidas com relação a este tema. Defendia os interesses de São Bernardo mesmo estando distante da política, pois na época, apesar de a câmara estar na “Villa”, a prefeitura já estava instalada na atual Santo André (embora tudo ainda fosse um único município, o Município de São Bernardo) o que provocava demoras e falhas no atendimento aos cidadãos de São Bernardo.
Nos anos 30, seu filho Armando Setti chega ao cargo de prefeito municipal. Eram tempos difíceis, o Brasil vivia crises internas e vivia também a crise ocasionada pela quebra da bolsa de Nova Iorque. Com os conselhos do pai, Armando emprega uma gestão exemplar em São Bernardo, e diante da crise, a sua primeira medida foi baixar uma portaria reduzindo os seus próprios vencimentos. Ainda em sua administração, o trecho central da Rua Marechal Deodoro foi calçado com paralelepípedos, e esta foi a primeira rua calçada de toda a região, tendo São Bernardo recebido a melhoria antes mesmo da Rua Cel.Oliveira Lima em Santo André, que era a rua mais importante do ABC na época. O Calçamento, dizem foi conseguido por intermédio do próprio Ítalo Setti, de uma pedreira de Rio Grande da Serra que tinha dívidas com a prefeitura. O Calçamento foi uma verdadeira revolução para São Bernardo, pois o centro do lugarejo sofria com a poeira e com o trânsito de veículos que corria toda a Marechal Deodoro, único acesso da Capital para Santos até 1947.
Além desta melhoria, também fez com que São Bernardo fosse o primeiro lugar do ABC dotado de energia elétrica, benefício que conseguiu por méritos próprios junto à The São Paulo Tramway, Light and Power Co. que controlava o fornecimento de luz e o serviço de bondes na capital e em seus arredores.
Em 1896, fundou junto com compatriotas a Societá Mutuo Socorso Italiani Uniti, em 1941, doou um magnífico terreno ao Esporte Clube São Bernardo, que tinha a simpatia de Ítalo Setti por representar o nome de nossa cidade. Doou também uma área de 1300 m2 na Rua Doutor Fláquer, onde financiou e construiu o primeiro pavilhão da Escola Ítalo Setti, sob a condição de que pelo menos 15 crianças pobres recebessem instrução gratuita. Essa escola, depois de ampliada tornou-se o Colégio São José, das freiras palotinas.
Em 1942, doou o avião “João Ramalho” à Companhia Nacional de Aviação, na presença de altas autoridades, inclusive o Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, e o jornalista Assis Chateaubriand, lembrando que a aeronave doada tinha o nome do fundador de São Bernardo.
A Antiga Igreja Matriz também recebeu muitas benfeitorias por parte de Ítalo Setti: Entre elas, peças de iluminação, adornos, e toda a pintura do altar mor e da nave central. Foi o grande precursor da autonomia político-administrativa de São Bernardo, perdida em 1938, mas recuperada em 1944.
E depois de tantos feitos, apenas uma pequena rua recebe o seu nome, enquanto três das mais importantes avenidas da cidade homenageiam: 1 - o golpe militar de 1964 (Avenida 31 de Março) 2 – Um Americano que jamais pisou em São Bernardo – Avenida Robert Kennedy e 3 – Outro cidadão norte-americano que também nunca pisou na cidade, o Presidente Kennedy, homenageado na Avenida Kennedy.
Dá pra entender?
Bibliografia consultada: PESSOTTI, Attílio – Villa de São Bernardo, Cadernos Históricos, 1977.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Os muitos campos de outrora
O Primeiro campo, ou melhor, o mais antigo que conhecemos, era utilizado pela antiga Associação Athlética São Bernardo, e ficava em um terreno de propriedade do Sr.Ítalo Setti, um dos mais ilustres cidadãos que São Bernardo do Campo já possuiu. (a vida dele é tema de outro texto). Este campo, ficava no quarteirão delimitado pela Rua Marechal Deodoro e pelas Avenidas Francisco Prestes Maia e Brigadeiro Faria Lima. O Campo foi instalado ali na época da primeira “febre” futebolística de São Bernardo, e a intenção da Associação Athlética, era comprar o terreno do proprietário, que para isso facilitou o preço em parcelas “bem camaradas”. No entanto, em
Em 1941, o clube resolve procurar o Sr.Ítalo Setti, visando a aquisição do terreno para a constituição de sua sede própria, instalada até então na Rua Marechal Deodoro, primeiramente na sobreloja do Bar Expresso, tradicional reduto de admiradores do clube, e depois em uma velha sala de cinema desativada. Simpático à idéia do clube, o Sr.Ítalo Setti doa o terreno à agremiação impondo algumas condições: O Estádio deveria chamar-se Ítalo Setti, e caso o clube se dissolvesse, o terreno voltaria para as mãos da família. Desta forma, o “Esporte” (nome carinhosamente dado ao São Bernardo) constrói ali toda a estrutura de um clube social: Estádio com arquibancadas, iluminação noturna (o S.Paulo FC veio inaugurar em partida amistosa contra o ECSB), quadras de basquete, vôlei, futsal, vestiários e demais itens. O Estádio Ítalo Setti, o mais moderno do ABC durou até os anos 60, quando a Avenida Brigadeiro Faria Lima foi construída e rasgou todo o campo, reduzindo a propriedade do clube, que sem local para jogar acabou se desligando do futebol, voltando somente no início dos anos 80. Em 1968, o clube inaugura no terreno o primeiro ginásio de São Bernardo do Campo, além de piscinas, sauna e estruturas modernas que permitiram que o Esporte se tornasse o maior clube da cidade na época. O Ginásio também beneficiou muito o basquete do clube, que sempre colecionou títulos e revelou “cracaços”.
O Terreno pertence ao clube até hoje.
O Outro campo que merece destaque, é o velho campo do Palestra. Até 1952, existia na atual Praça Lauro Gomes, um velho casarão, construído em taipa no Século XVIII, e que pertencia ao Alferes Bonilha, antigo habitante do lugar. Este casarão, de fachada simples e sóbria, teve papel fundamental para a cidade, pois sediou o núcleo colonial de São Bernardo á partir de 1877, além de ter funcionado como cadeia, grupo escolar, posto dos correios, delegacia de polícia, entre outros usos. Atrás dele, mais ou menos onde hoje está a Escola Estadual Iracema Munhoz, existia o Pasto da Prefeitura, que também servia de ponto de retorno para o bondinho que ligava S.Bernardo à Santo André. Após a fundação do Palestra de São Bernardo, em 1 de Setembro de 1935, os responsáveis pela agremiação alviverde procuraram
O Campo foi desmontado juntamente com o velho casarão. Ali nasceu a segunda praça da cidade, e a atual EE Iracema Munhoz, ambos inaugurados pelo Prefeito Lauro Gomes no IV Centenário de São Bernardo, em 1953. Com o casarão, uma grande e importante parte da memória de São Bernardo ficou esquecida, foi sepultada naquele entulho de quase dois séculos, tudo dizimado em nome do “progresso” que chegava à outrora pequena e tranqüila cidade. Sinais de novos tempos, de indústrias e da nova Via Anchieta que rasgava o território do município.
O Palestra, graças a uma atitude cordial de seu rival, mandou seus jogos no Estádio Ítalo Setti até conseguir construir um novo campo, em um terreno cedido pela prefeitura na então “Vila” Ferrazópolis, um deserto urbano que na época nem tinha o “status” de bairro, pois estava vinculado ao centro da cidade.
Lauro Gomes, com essa atitude, se tornou “persona-non-grata” entre os Palestristas, que já tinham Tereza Delta, a grande rival de Lauro Gomes como madrinha do time e do clube.
O Último campo, estava no quarteirão delimitado pelas ruas Frei Gaspar, Alferes Bonilha e pela Avenida Brigadeiro Faria Lima. Era o campo do Brasil, uma das maiores equipes de várzea de São Bernardo, destino certo de muitos jogadores que se “aposentavam” pelo Palestra e pelo Esporte. Ali, apenas um campo, sem arquibancadas era o que bastava para a realização das partidas, sempre muito disputadas, pois o cenário varzeano de São Bernardo do Campo sempre foi da melor qualidade. O Campo, foi cortado pela Avenida Brigadeiro Faria Lima, mas já tinha sido abandonado pouco antes. Em seu lugar está a Praça Brasil, homenagem ao clube que construiu ali um pedaço da história de nosso rico e esquecido futebol.
Sem campos, o futebol da cidade foi acabando, até a inauguração do estádio Humberto de Alencar Castelo Branco, o popular Baetão, pelo prefeito Geraldo Faria Rodrigues, no início dos anos 70. O Baetão, estádio esquisito e acanhado, apoiado de um lado em um grande barranco, com as suas arquibancadas em declive, e do outro com uns míseros quatro ou cinco degraus, enchia e vibrava com as partidas do Aliança Clube de Rudge Ramos, um aventureiro do futebol profissional, que em fins dos anos 70 era a mais poderosa equipe amadora do Estado de São Paulo, campeã invicta do “Desafio ao Galo”, tradicional torneio varzeano, vencedora do “Super Galo”, que reunia todas as equipes campeãs do torneio, e que depois resolveu se profissionalizar, sendo vice-campeã da segunda divisão do Campeonato Paulista em duas oportunidades. Depois, foi absorvida pelo Esporte Clube São Bernardo, que continuou repetindo os feitos da equipe azul.
Ainda nos anos 70, foi inaugurado o Estádio Costa e Silva, mais moderno e amplo, antiga aspiração dos esportistas da cidade. O Terreno pertencia a Tecelagem Elni, uma das mais modernas do Brasil, que estava instalada onde hoje está o Poupatempo. No Estádio, o Palestra enfrentou nada mais nada menos do que o Santos de Pelé, na única apresentação oficial que a equipe fez em S.Bernardo do Campo, antigo e tradicional ponto de concentração do time santista. No entanto, o estádio ficou famoso por sediar as reuniões de metalúrgicos durante as grandes greves do ABC, em fins dos anos 70 e no início dos anos 80. Na década de 80, o estádio foi ampliado, e teve o seu nome alterado para “Estádio Primeiro de Maio” em homenagem aos eventos grevistas. O Estádio permanece inacabado e sem iluminação artificial até os dias de hoje.
E em uma cidade que já teve tantos campos de futebol, hoje temos apenas dois estádios incompletos e acanhados, que não combinam com a grandeza de São Bernardo do Campo, e tampouco com a bela história do futebol de nossa cidade.